quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pierre Lévy e o futuro da cibercultura


Para arriscar previsões sobre o futuro da cibercultura, o evento Cibercultura 10+10 reuniu em Santos, na semana passada, o filósofo Pierre Lévy, o músico Gilberto Gil, Sergio Amadeu, André Lemos e outros pesquisadores do tema.
O encontro também marcou os dez anos do lançamento da edição brasileira de Cibercultura, escrito por Lévy e publicado pela Editora 34.
Para o filósofo francês, o que deve prevalecer é o diálogo entre culturas. "Precisamos compreender que fazemos parte da mesma humanidade. Por que não imaginar uma grande civilização da consciência coletiva?", questiona.
Dowloads de imagens, falas e canções gravadas nos dois dias do evento podem ser feitos no site www.cpflcultura.com.br.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O Partido Pirata brasileiro


A expressão "pirata" geralmente remete aos cibercriminosos, mas estes piratas políticos têm outras intenções. Já são mais de mil militantes que compõem o Partido Pirata brasileiro, que ainda tenta se oficializar junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para concorrer as eleições de 2012. A agremiação não quer ser vista como uma instituição partidária tradicional, e além de defender questões como a transparência pública e o compartilhamento na internet sem fins comerciais, o "Pirate Partei" do Brasil também se preocupa com a inclusão digital.

Alguns princípios dos piratas políticos:

- Defendem o compartilhamento de arquivos sem fins comerciais, e não a comercialização ilegal da produção cultural.

- Lutam por uma reforma em todo o sistema de direitos autorais.

- Não pensam em maneiras de roubar informações sigilosas. São contra a invasão dos computadores e a favor da privacidade na internet.

- Têm forte posição contra as patentes. Segundo eles, "as patentes se tornaram obsoletas e reprimem a inovação e a criação.

- Defendem a transparência e a liberdade de expressão.

Visite, veja, participe: www.partido-pirata.org

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

E em tempos de fim do diploma...


Texto do anúncio ao lado:

Seja jornalista em 6 meses!
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-Carlos Lacerda
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-Marcos André

E muitos outros grandes nomes da imprensa.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cala-boca já morreu


Restrições ao uso da internet no período eleitoral: mordaça sobre a atividade jornalística e ameaça à liberdade de expressão.

A imposição de restrições à internet durante o período eleitoral e o seu uso em campanhas políticas, sugerida pelos deputados Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG) - sim, aquele do AI-5 Digital, já comentado neste Descentralizador - expressa uma verdadeira ignorância desses parlamentares sobre o que é a internet.
O projeto de reforma da lei, que infelizmente já foi aprovado na Câmara e agora passa pelo Senado, inibe a participação ativa dos cidadãos nas eleições de 2010, limitando o uso da rede e procurando transformá-la em uma mídia de baixa interatividade.
A revisão propõe proibir qualquer veiculação em áudio, vídeo ou texto para degradar ou ridicularizar um candidato, partido ou coligação. É importante lembrarmos que calúnia, difamação e injúria contra qualquer pessoa já são ações proibidas.
O que esses parlamentares querem é tentar impedir que a blogosfera exerça o seu direito político de criticar candidatos, mesmo com a liberdade de expressão sendo assegurada por lei no Brasil.
O texto sobre a reforma da Lei Eleitoral, apresentado pelos senadores demo e tucano, é uma ameaça à atividade jornalística e uma derrota da esfera pública para aqueles que se acomodam no poder estando blindados pelas leis e manobras políticas.

Obs: se a Justiça Eleitoral não consegue fiscalizar nem o "caixa dois", vai fiscalizar a internet e sua multidão de sites, blogs e produtores de conteúdo?

Imagem: Elisandra Minozzo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Escola virtual de reportagem (2)

Muitos encontros e desencontros. Informações e possiblidades mil. Colaborações. Mais um canal do Youtube com dicas de reportagem (sugerido por Renata Campos: amiga, ciberparceira e jornalista).
Veja aqui

terça-feira, 30 de junho de 2009

Escola virtual de reportagem


Com o fim da exigência do diploma para o exercício da atividade jornalística, cada vez mais a profissão tende a ser aprendida longe das escolas comuns. Na esteira dessas transformações, os jornalistas cidadãos, que não se interessam em obter o canudo, acabam de ganhar uma forma de melhorar a qualidade do conteúde que difundem.
O You Tube está disponibilizando uma página em que reúne depoimentos de jornalistas americanos sobre técnicas e dicas de reportagem. Como se fosse uma escola virtual! Entre os "professores" estão Bob Woodward, Nicholas Kristof e Ariana Huffington.
Veja aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

RIP Michael Jackson


AMADO MICHAEL
(Tom Zé)

Negro da luz que desbota branco
Tanto talento tormento tanto
Tanta afronta de pouca monta.

Eia! virtudes em farta ceia
Todo encanto que pode o canto
Toda fiança que adoça a dança.

Que deus nos furta vida tão curta?
Mundo lamenta: ele mal cinquenta!
A ninguém ilude essa bruxa rude.
Paroxismo desse Narciso
Que achou desgosto no próprio rosto
E apedrejou-se com faca e foice.

Avança a rua (uma dor que dança)
E em seus telhados mandibulados
Requebra os hinos do dançarino.
Niños, rapazes, se sentem azes
Herdeiros todos e seus parceiros
Revelam parque, porto e favela.

II

Da Grécia três te trouxeram Graças
Arcas repletas de belas artes
Arcas que deram ciúme às Parcas.

Que luz trarias tu, mitologia,
Para um tal desatino de destino
Que o espandongado toma por fado?

Porque o povo grego disse que
Se a hybris o herói consigo quis,
Se condiz ao lado dela ser feliz
Ele mesmo será pão e maldição
Enquanto gera para os olhos de Megera.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

RIP: A remix Manifesto


Aos poucos estamos nos dando conta de que as ideias podem ser, em muitos casos, mais lucrativas do que petróleo, terra ou até mesmo ouro. Ninguém quer perder a sua propriedade intelectual. Este tema já foi abordado neste Descentralizador e serve de eixo central para o documentário Rip: A Remix Manifesto, que agora pode ser visto e baixado da internet.
O filme foi feito pelo canadense Brett Gaylor, documentarista e criador do Open Source Cinema. Ele trata, em linhas gerais, da questão do copyright na era da informação, e tem como protagonista Greg Gillis (Girl Talk), além de participações da galera de sempre nessa área, ou seja, Lawrence Lessig, Gilberto Gil, Cory Doctorow, entre outras figuras interessantes.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O que é pirataria na web?



"a legislação não acompanhou as inovações tecnológicas"
Lucas Pretti

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Wolverine e os "piratas" da web


Um desses momentos históricos da internet aconteceu na última quarta-feira (1° de abril) quando uma versão inacabada de um dos filmes mais aguardados do ano espalhou-se pela web muito antes de sua estreia, que está marcada para o fim deste mês.
Parecia mentira, mas a verdade é que "X-Men Origens: Wolverine" vazou na rede, tornando-se um fenômeno pela quantidade de downloads que ele desencadeou. No Pirate Bay, um dos maiores sites de downloads, o filme ocupa o topo da lista de mais baixados, com mais de 20 mil pessoas agindo como fornecedoras e mais de 50 mil baixando. Vale lembrar que o filme ainda não foi finalizado: grande parte dos efeitos especiais ainda não foram inseridos, há vários trechos não editados e, segundo a Fox, há cenas que não estão na versão pirateada.
O FBI e a MPAA (associação dos estúdios de cinema) estão investigando ativamente o ocorrido. A principal suspeita de ter cometido o vazamento é a Rising Sun Pictures, empresa autraliana de efeitos visuais cujo nome aparece rapidamente no começo da versão pirata. A empresa atraiu as atenções dos investigadores porque há supeita de que o filme foi disponibilizado na web durante a fase de pós-produção. Mas esta questão criminal não é o interesse deste post.
Não adianta mais chorar sobre o leite derramado ("ou vazado") - o filme já está na rede, multiplicado e socializado de forma incontrolável. "X-Men Origens: Wolverine" vai virar um objeto de estudo: quais os efeitos que este vazamento terá sobre a bilheteria do filme? Que tipo de boca a boca ele vai gerar?
Já vimos algumas coisas parecidas antes, como foi o caso de "Tropa de Elite", longa brasileiro de José Padilha. Mesmo com o vazamento prematuro, o filme atingiu uma bilheteria histórica, ajudado pelo boca a boca positivo de quem havia visto a versão pirata e pela intensa cobertura que o filme ganhou da imprensa.

"Parlamento francês aprova legislação antipirataria" (publicado na Folha Online nesta sexta-feira, 03/04).
A nova lei antipirataria autoriza o corte do acesso à internet dos usuários que fazem downloads ilegais. Antes de ser aprovada, a decisão foi muito contestada por grupos de direitos dos consumidores, porém apoiada pelos artistas populares do país.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Vigilantismo na internet


Um texto elaborado pelo Ministério da Justiça pretende acrescentar ideias ao Projeto de Lei 84/99, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), sobre crimes na internet. Se forem aprovadas, as medidas tornarão a utilização da rede mais limitada e vigiada do que já previa o PL do senador tucano.
O PL 84/99 determina que os provedores guardem os horários de entrada e saída dos usuários na internet. Contribuindo ainda mais para o vigilantismo, o MJ pede para que fiquem registrados por três anos todos os dados de tráfego, como a hora em que o internauta se conectou e por quais sites navegou, além de nome completo, filiação e registro de pessoa física ou jurídica. Ainda de acordo com o Ministério da Justiça, esses dados terão de ser apresentados quando solicitados pelo Ministério Público ou pela polícia mediante ordem judicial.

Piada. Agora, para entrar na internet terei de mostrar o meu RG. Devemos exigir o direito de navegar sem termos nosso rastro digital controlado pelas corporações, pelos criminosos e pelos Estados autoritários. Armazenar dados da nossa navegação por mais de seis meses deve ser considerado crime.

Se você é a favor da liberdade e do progresso do conhecimento na internet brasileira, assine a petição pelo veto ao Projeto de Lei 84/99 do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

quarta-feira, 25 de março de 2009

Jornalismo "nas coxas"

O artista gráfico sueco, Marc Strömberg, decidiu inovar na terceira edição da revista 'Tare Lugnt', que foi publicada em forma de tatuagem. Strömberg, 22 anos, disse que o próximo número será tatuado nas costas.
Tem gente que ainda acredita no fim da mídia impressa.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Cultura do remix e a questão do autor


A Indústria Cultural insiste no sistema de apropriação privada dos bens culturais, como se os criadores e artistas tivessem suas ideias brotadas do nada ou de algum lugar acima do nosso meio, de nossa teia cultural (que há séculos e muitas gerações viemos tecendo).
É necessário repensar o conceito e as formas de remuneração dos autores num momento em que as redes digitais permitem práticas recombinantes.
O remix, a colagem (samples) e a fusão de ideias são essenciais à criatividade.

Na imagem, um remix do famoso autorretrato de Vincent Van Gogh com o rosto do personagem Mestre Yoda (Star Wars).

quarta-feira, 18 de março de 2009

Literatura remixada


Morte e Vida Severina, obra clássica do escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920/1999), ganhou uma releitura inspirada pelo atual estado da arte contemporânea. O resultado do projeto é o espetáculo Outros Severinos Remix, que está sendo apresentado em São Paulo até o dia 7 de abril. As sessões ocorrem às terças-feiras em dois horários: 13h e 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil.
O romance, que conta a vida de um migrante nordestino, foi reapropriado no contexto da arte digital, com linguagem multimídia e uso de remixes e samples. Outros Severinos Remix é dirigido por Lucas Bambozzi e Fernão Ciampa. Fazem parte da trupe do projeto os grupos Embolex e Nação Zumbi, o Dj Dolores, a artista plástica Lenora de Barros, o multiinstrumentista Livio Trangtemberg e o Mc Gaspar, do grupo Záfrica Brasil.
Está dada a dica de mais esta experiência audiovisual. Confira.

Outros Severinos Remix
Centro Cultural Banco do Brasil
rua Álvares Penteado, 112
17 de março a 07 de abril
às terças-feiras, em dois horários: às 13h00 e às 19h30
de R$ 3,00 a R$ 6,00

quinta-feira, 12 de março de 2009

WWW, 20 anos


Na esteira das grandes invenções tecnológicas do século passado, dois cientistas de um laboratório suíço da Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear) pouco imaginavam a grandiosidade do que estavam criando. Estamos falando do WWW (Wolrd Wide Web), o serviço mais utilizado da internet, que em 1989 foi "dado à luz" pelo belga Robert Cailliau e o inglês Tim Berners Lee. O "aniversário" será celebrado em um evento na Suíça, nesta sexta-feira (13).
Por meio de páginas interligadas, que combinam textos e imagens, o WWW democratizou o acesso à internet, antes restrito apenas ao círculo acadêmico.
Na década de 90, Berners Lee já tinha desenvolvido todas as ferramentas necessárias para o funcionamento da rede: o HTTP (HyperText Transfer Protocol), a linguagem HTML (HyperText Markup Language), e ainda as primeiras páginas, que eram blocos rústicos de textos e links.
A popularização da web só se consolidou em 1993, com o lançamento do navegador Mosaic, criado pelo estudante de computação norte-mericano Marc Andreessen. Desde então foi-se incorporando o caráter colaborativo desta rede, e para organizar o conteúdo que crescia vertiginosamente, surgiram diretórios de sites e macanismos de pesquisa como Yahoo, Altavista e Google.

Web verde-amarela
Na mesma década, o Brasil já plantava suas primeiras sementes na web com o lançamento de sites, do portal UOL e o buscador Cadê?. Com o passar do tempo, ficou provado o potencial de geração de lucros na internet, e diversos sites foram lançados com este objetivo. A web aos poucos foi caindo no gosto dos brasileiros, que se tornaram um dos principais adeptos no mundo de ferramentas de relacionamento como Orkut e Messenger.

Era 2.0: "faça você mesmo"
A prova maior de que a internet chegou para mudar o sistema tradicional de comunicação é a Web 2.0, onde o conteúdo é gerado pelos próprios usuários. A troca de informações se dá através de muitos para muitos - não é mais concentrado no grandes conglomerados de comunicação, que monopolizam a dissiminação de informação e fazem dela um produto para se gerar lucro. "A web 2.0 é um tanto anarquista mesmo".
O conteúdo gerado pelo usuário, afinal, era a intenção de Berners Lee e Cailliau, os grandes protagonistas desta história.

terça-feira, 10 de março de 2009

Movimento dos Sem Mídia


Como já foi divulgado neste Descentralizador, a calçada da alameda Barão de Limeira foi tomada por um grupo autodenominado Movimento dos Sem-Mídia (MSM) durante a tarde do último sábado (07). O ato marcou a criação do movimento, cujo manifesto foi lido em público pela primeira vez.
O criador e líder da iniciativa chama-se Eduardo Guimarães, um assíduo freqüentador dos espaços abertos aos leitores dos grandes jornais e blogueiro de forte repercussão na internet.
O MSM pretende lutar "pelo direito humano à informação correta, fiel, honesta e plural". E combater "a seletividade do moralismo político midiático, o sufocamento da divergência e o soterramento ideológico de corações e mentes", diz o manifesto.
Em entrevista ao Terra Magazine, Guimarães conta que é representante comercial para o setor de exportação de uma indústria de autopeças do interior do Estado. Ele se identifica com o "o homem na multidão, indivíduo comum", de Edgar Alan Poe. "Nunca tinha sido entrevistado na vida até cinco dias atrás", garante.
Vale a pena dar uma lida no blog do ativista.

Na foto de Ricardo Veronez, Eduardo Guimarães solta o verbo.

Há quanto tempo você se manifesta sobre a mídia?
Leio jornais diariamente desde adolescente, seguindo um costume de família. Em meados dos anos 90 comecei a enviar cartas para os jornais, sobretudo para o Estadão. Minhas opiniões foram muitas vezes publicadas por este jornal, também pela Folha, O Globo e Jornal do Brasil.
No entanto, a partir da campanha eleitoral de 2001 passei a enfrentar dificuldade para ser ouvido pelos mesmos espaços. Minhas correspondências que colidiam com a opinião expressa pela maioria dos editoriais e articulistas destes jornais rarearam, enquanto que as demais foram mantidas.
Quer dizer, ficou claro para mim que para eu ser publicado, precisaria alinhar minha opinião à expressa pelos veículos. A partir desta percepção que cunhei o termo "sem-mídia".
A internet possibilita outros vôos, outros espaços. Há muitos anos o Observatório da Imprensa publica textos meus. Atualmente, a freqüência é quase semanal.
Em fevereiro de 2006 coloquei o meu próprio blog, o cidadania.com, no ar. Blogs de jornalistas de grande prestígio começaram a disponibilizar links para o meu.
Principalmente o do correspondente da TV Globo em Nova York, Luiz Carlos Azenha, o Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim, e o do Luiz Nassif. A mídia alternativa também passou a dar espaço para mim, e a coisa foi crescendo.

Como surgiu o MSM?
A idéia do movimento surgiu há pouco mais de duas semanas, no dia 30 de agosto. O estopim foram os episódios envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Sobretudo a matéria da Folha em que a repórter reproduz uma conversa dele ao telefone celular com uma terceira pessoa, num restaurante de Brasília.
Senti-me ameaçado porque no momento em que a imprensa começa a agir deste jeito, perseguindo e espionando, ficamos inseguros. Se a imprensa vai dizer o que o Supremo vai julgar e decidir, todos nós estamos ameaçados.
A mídia quer decidir como juízes e parlamentares devem votar, usando contra eles a ameaça de desmoralização.
Devido à minha profissão viajo há anos para os nossos países vizinhos. Eu estava na Venezuela em 2002, e vi de perto a tentativa de golpe de Estado do qual a mídia tomou parte decisiva. Num processo como este as garantias desaparecem. A sociedade fica sem parâmetros quando perde o bom senso.

Como foi organizada a manifestação?
Neste dia postei um texto que falava de tudo isso, e sensibilizei muita gente. Em poucos tempo organizamos o ato em frente à Folha. Marcamos um horário de encontro, fiz contato com internautas de vários Estados dispostos a participar e compramos um megafone.
Fechamos questão em torno de uma conduta que não causasse danos ao patrimônio público, sem agressividade ou insultos. Não padronizamos roupas, bordões, narizes de palhaço e nada que caracteriza uma ação orquestrada. Este é um movimento espontâneo. Dizemos o que pensamos.
O ato foi comunicado em ofício à subprefeitura regional da Sé, à 1ª Delegacia Seccional de Polícia da Capital, ao 13º Batalhão da PM da Capital e ao Detran. Foi uma manifestação bem educada e civilizada, que transcorreu sem grandes problemas.
Como você avalia o resultado da manifestação e a cobertura que ela recebeu da mídia?
Eu estava pronto para fazer a ato sozinho, se fosse necessário. Mas para a minha surpresa, reunimos mais de 200 pessoas na manifestação. Recolhemos 191 assinaturas para o manifesto, que foi protocolado na recepção do jornal. Mas não conseguimos falar com todos presentes.
A Polícia Militar afirmou que apenas 90 pessoas fizeram parte da manifestação, o que para nós é um grande equívoco. O contingente alcançado foi uma grande surpresa e vitória para o movimento.
Quanto à mídia, o Conversa Afiada, veículos alternativos como a Caros Amigos e Portal da Imprensa, e a própria Folha cobriram a manifestação.
Da grande imprensa mesmo, conseguimos nove linhas na Folha, numa matéria que deu destaque para a manifestação do movimento "Cansei", que na Avenida Paulista também reuniu cerca de 200 pessoas.
E um comentário na crítica diária do ombudsman da Folha, publicada pela Folha Online. Na opinião dele, o jornal não informou bem o seu leitor quanto ao conteúdo da nossa manifestação, apesar de ela ter ocorrido em frente à Folha.
A pouca cobertura da grande mídia só confirma e legitima o Movimento dos Sem-Mídia. Mesmo assim, estamos ganhando visibilidade. Desde a manifestação, meu blog tem recebido mais de 1,5 mil visitantes únicos por dia, o que é muito para um desconhecido como eu.

O MSM tem caráter político-partidário?
Não. O Movimento é formado por pessoas das mais distintas origens e opiniões. Nos unimos exclusivamente pela percepção de termos nosso direito à livre expressão desrespeitado pela imposição de unanimidades contidas na imensa maioria do espaço de opinião da grande mídia.
Eu nunca fui filiado ou tive ligação com qualquer organização político-partidária. A única vez que cheguei perto de um político foi em 2000, quando a Folha de São Paulo me convidou para participar das comemorações dos seus 80 anos. Como eu escrevia muito para jornal, era tido como um exemplo de leitor participativo. Fiquei orgulhoso com a deferência, na ocasião.
Desde 1989 eu voto em Luiz Inácio Lula da Silva. Mas há vários leitores do meu blog que divergem de mim e participam da nossa mobilização. Não somos contra ninguém, mas sim a favor do jornalismo sério.

Gostaria de saber mais sobre você.
Eu tenho 47 anos, sou casado, tenho quatro filhos e uma neta. Comecei a fazer administração de empresas, mas logo abandonei o curso. Minha mulher engravidou cedo e tive que priorizar o trabalho. Comecei como estoquista numa empresa de exportação e saí dela como gerente de compras, com 21 anos.
Tive minha própria empresa por muitos anos, mas levei um tombo na crise argentina de 2001. O corralito prendeu o dinheiro e quebrou muitos dos meus clientes e eu também fiquei no prejuízo. Desde então, voltei a trabalhar para outras empresas como gerente de exportação e representante de vendas.
Minha origem é de classe média. Estudei em boas escolas particulares de São Paulo, como São Luiz, São Bento e Dante Alighieri. No mais, sou autodidata. Li os clássicos da literatura e muitos jornais, sempre.

Quais são os próximos passos do movimento?
Pretendemos realizar em breve uma assembléia em São Paulo. Estamos estudando como dar uma feição jurídica ao movimento. Porque eu quero fazer tudo dentro da lei, tudo certo, comedido, sem insultos. Com argumentos, sem "fora mídia", "fora ninguém". Quero argumentar e receber argumentos, democraticamente. Promover o debate de idéias.
No curto prazo devemos fazer novas manifestações. Acredito que em frente à Editora Abril, ou ao Estadão. Queremos dar corpo ao Movimento até que estejamos fortes para chegar à Globo, que é o maior latifúndio midiático do Brasil. Pretendemos fazer uma ocupação intelectual e pacífica do espaço midiático brasileiro.

Publicação do termo "ditabranda" provoca manifestação contra a Folha

"Que a mídia fale, mas não nos cale". Foi esse o mote da manifestação organizada pelo Movimento dos Sem Mídia ocorrida em frente à sede do jornal Folha de São Paulo durante a tarde do último sábado (07).
Cerca de 300 pessoas se reuniram num ato de repúdio ao uso do termo "ditabranda" em editorial publicado no dia 17 de fevereiro sobre a vitória de Hugo Chávez no referendo que lhe valeu a possibilidade de reeleição ilimitada.
No texto, o editor referiu-se à ditadura militar brasileira como mais branda do que a de outros países da América Latina, o que provocou descontentamento de vários leitores. Nos dias seguintes ao da publicação, a sessão de cartas do jornal ficou repleta de comentários descontentes e indignados.
Merece destaque a "batalha" travada pelos professores Fabio Konder Comparato, de Direito da USP, e Maria Victoria Benevides, da Faculdade de Educação da mesma universidade, que receberam uma resposta grosseira do jornal ao serem chamados de cínicos e mentirosos (já que, segundo a Folha, apoiam ditaduras de esquerda como as de Cuba e da própria Venezuela).
Veja imagens da manifestação:

Mais de cultura digital (FILE 2009)


O FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica) completa 10 anos de existência em 2009 e está abrindo inscrições para a sua décima edição que acontecerá no espaço cultural do Sesi Paulista em São Paulo, no período de 27 de julho a 31 de agosto.
As inscrições são gratuitas e abertas a profissionais, pesquisadores e estudantes de linguagem eletrônica de âmbito internacional. Para mais informações visite o site.
O festival apresenta trabalhos nas áreas de webart, música eletrônica, inteligência artificial, mobile art, animação computadorizada, software art e instalações de arte eletrônica em salas interativas e imersivas.
A versão carioca do evento já está rolando, e vai de hoje até o dia 19 de abril. As principais atrações acontecem no Espaço Oi Futuro, localizado na rua Dois de Dezembro, Flamengo.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Cultura digital em pauta (e em festa)


Com um clima descontraído o You Pix, evento que pretende discutir tecnologia, arte e produção cultural na internet, irá acontecer entre os dias 09 e 11 de março no Espaço Gafanhoto, em São Paulo.
Em sua programação estão previstos debates entre figuras importantes do mundo digital e cultural, como o fotógrafo baladeiro Bronques, Chad Nicholson (que vai coordenar a primeira ação coletiva do grupo Improv Everywhere no Brasil), Cris Dias, Gaía Passareli (do site rraurl) e a cantora Jake (do mega-hit "Pó Pará com o Pó", que fez sucesso entre os internautas no ano passado).
Os organizadores aproveitarão a oportunidade para divulgarem o resultado da premiação Melhores da Websfera 2009, do qual participaram blogs, eventos, podcasts, sites geradores de conteúdo e muitas outras categorias. Merecem destaque especial a eleição da Web Musa e Mico do ano, que intensificam ainda mais o caráter divertido do You Pix.
Idealizado pela revista Pix e sua editora Bia Granja (com co-curadoria da Lalai), o evento é aberto ao público em geral e será gratuito. Quem quiser participar basta entrar no site e cadastrar seus dados - além, é claro, de conferir toda a programação. Não vacile perdendo tempo porque as vagas são limitadas.

You Pix
Espaço Gafanhoto
Av. Rebouças, 3181, Pinheiros
De 09 a 11 de março

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Trabalho duro é viver desempregado


Estão cada vez mais claras as primeiras conseqüências da presente crise que vem derrubando o sistema do capital em escala global. No Brasil, o que antes havia sido minimizado pelo próprio presidente Lula como uma “marolinha”, ganhou forma e força, e agora o país está assistindo a cada dia a corrosão dos níveis de emprego em diversos setores da economia.
Se a situação é difícil para os principais países capitalistas (Japão, Alemanha, Inglaterra, França e o coração do sistema: os Estados Unidos), para os países de terceiro mundo ela é ainda mais preocupante. Conforme o “Panorama Laboral para América Latina e Caribe – 2008”, publicado no dia 27 de janeiro pela Organização Mundial do Trabalho, o cenário social da região é alarmante. Mesmo com uma leve diminuição da taxa de desocupação nos últimos cinco anos, o relatório da OIT antecipa que, devido à crise, até 2,4 milhões de pessoas poderão entrar nas filas dos desempregados em 2009, somando-se às mais de 16 milhões de pessoas que já se encontram nesta situação.
A taxa de desemprego no Brasil, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou 6,8% em dezembro de 2008. O IBGE classifica como pessoas desempregadas ou desocupadas “aquelas que não estavam trabalhando, estavam disponíveis para trabalhar e tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho nos trinta dias anteriores à semana em que responderam à pesquisa”.
Até o dia 28 de janeiro, o agricultor Cícero Limeira da Silva, 35 anos, achava que uma crise financeira originada no setor imobiliário dos Estados Unidos nunca afetaria a vida de um lavrador pobre do sertão de Pernambuco. No dia 29 ele percebeu que estava errado: perdeu o emprego, e ainda viu sua mulher, Anita Soares da Silva, 32, também ser despedida. A alegação dos donos da fazenda onde os dois trabalhavam foi a descapitalização da empresa, provocada pelo fraco desempenho das exportações de frutas produzidas no Vale do São Francisco em 2008. Dos 72 agricultores que trabalhavam nos parreirais da fazenda, apenas 10 foram mantidos.
A tragédia também afeta os grandes centros urbanos. De um lado os empresários pressionam para “flexibilizar” as leis trabalhistas, e de outro os trabalhadores lutam pelo direito a um trabalho digno. A negociação é um tanto injusta, na medida em que é necessário trabalhar ou trabalhar, ou seja, trabalhar ou viver no desespero do desemprego. Ainda em alguns acasos, trabalhar ou viver a barbárie – visto que os índices de violência urbana crescem acompanhando os índices de desocupação. O emprego informal, que era exceção no passado, tornou-se a regra da sobrevivência.
As alternativas das empresas às demissões consistem em propostas como sistema de banco de horas, férias coletivas, licença remunerada, suspensão do contrato e redução da jornada e dos salários. Recentemente foi constatado que os metalúrgicos das fábricas de autopeças Valeo, Sabó e MWM, todas situadas em São Paulo, estão abrindo mão de alguns benefícios para não serem despedidos. Em assembléias realizadas nas portas de suas fábricas, eles aprovaram a redução de seus salários e jornadas de trabalho para se manterem empregados nos próximos 135 dias. De acordo com Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, a MWM possui 2.799 empregados, mas a sua produção atual precisaria de apenas 2.100. Ainda segundo Torres, há 120 negociações como esta em andamento.
O que havíamos conquistado nas décadas passadas no que diz respeito aos direitos sociais e do trabalho, a crise derreteu em apenas um trimestre. E a Consolidação das Leis Trabalhistas, assinada em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas, diante de um estádio de futebol lotado e em clima de festa, já não se encontra tão sólida nos tempos atuais.

Foto: Akira_SP

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Etnojornalistas


Tribos indígenas do nordeste brasileiro estão conectadas com o mundo através da internet. Este é o resultado do projeto Rede Índios On Line, que pode ser visto no endereço www.indiosonline.org.br.
O site foi desenvolvido pelos próprios índios, que aprenderam a fotografar, escrever e disponibilizar o material na rede.
Eles estão buscando voluntários para traduções, assistência técnica em informática, apoio de divulgação e articulação do projeto. (Mais informações no próprio site).

Foto: Roberto Guglielmo

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Unplugged



Pontos contraditórios marcaram a abertura da Campus Party, ocorrida na segunda-feira (19) em São Paulo. Passaram-se seis horas até que os participantes conseguissem acessar a banda de 10 GB disponibilizada pela organização. Sim, o evento de tecnologia começou sem internet. Desplugada.
De acordo com a produção, a ideia inicial não era que a rede começasse a funcionar na tarde de segunda - seria liberada totalmente apenas à meia-noite, quando aconteceu a abertura oficial da feira. "A gente queria ter a rede completa à meia-noite, então íamos começar a ligar o sistema por volta das 18h e ir alimentando aos poucos. Mas o pessoal queria acessar a internet e resolvemos antecipar", disseram.
Outra contradição é o fato do evento, que defende bandeiras como a liberdade na internet e o software livre, ter a Telefônica como um dos principais patrocinadores. A empresa retêm grande parte dos direitos de acesso à rede e é uma das campeãs de reclamações no Procon por falhas neste tipo de serviço. Durante o seu discurso o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, foi vaiado pelos participantes mas amenizou o ocorrido. "As críticas são sempre bem-vindas, ainda mais em um ambiente como esse, democrático, em que as pessoas podem se expressar livremente", disse o executivo à imprensa, que também teve o seu trabalho dificultado pela falha.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mais um passado da vida



Acordaram no pino do dia com o ruído da rua e deram uma chegada até a praça pra deixarem a consciência limpa. Muitos casos sucederam na viagem até a chegada do último dia. Rios, igarapés, furos, mangues, dunas e marés. Guarás, urubús, carangueijos, golfinhos, icamiabas e homens ribeirinhos. Muiraquitãs. As docas do Guajará não serão tão logo visitadas novamente. Uma beliscada do sol e o vento quente já incomodam de novo, e o movimento urbano da capital do Norte trazia-lhes de volta a maneira que sempre usaram para se darem com a terra: tênis no asfalto. Foi o rio Pará que facilitou-lhes a viagem, mas o aeroporto de Guarulhos era o próximo destino. O último dia previa o primeiro.
Diário de bordo...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Medo e delírio em Mumbai


"Terroristas usaram cocaína e LSD antes dos ataques em Mumbai, diz jornal" (Folha Online no dia 02/12/08).

A primeira providência a ser tomada quando desembarcamos em Mumbai era dividirmos as 6.200 rúpias indianas, depois nos separarmos. Eramos dez e o dinheiro não era muito. Peguei a minha parte e ouvi a despedida dos companheiros tentando não prestar muita atenção no que diziam, não adiantava mais olhar para trás. Saí andando em direção ao banheiro para mijar e dar o último teco.
O combustível já me deixava acordado desde a noite anterior, eram duas da tarde e eu não havia almoçado, estava sem fome e apenas água me bastava naquele momento. Realmente eu não estava com o mínimo apetite, mas estes pensamentos me vieram à cabeça porque pouco depois que eu inalei o pó me desfiz em suor, me senti estranho. Mesmo assim a idéia de amoçar foi rapidamente atropelada por outros pensamentos, e sem pensar muito no que estava a fazer fui procurar um táxi.
Minha roupa já estava ensopada e logo vieram os calafrios, como uma febre. Nem me lembrei que havia dividido um LSD com o mesmo companheiro que providenciou a farinha para a facção - aquele paquistanês Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab era mesmo um incosequente.
Bom, se lembrasse do ácido que percorria minhas veias naquele momento talvez teria me tranquilizado um pouco mais - era normal eu ter calafrios quando exagerava nas doses de LSD. Durante alguns segundos me preocupei com o meu estado de saúde, mesmo estando prestes a cumprir minha (e nossa) "missão suicida", que na verdade só não podia acabar numa overdose. Melhor ter cuidado com o corpo, ninguém quer ter um colapso e começar a sangrar pelos ouvidos e narinas no meio do porto de Mumbai - a referência financeira da Índia, um país com quase 1 bilhão de habitantes que aplica pena de morte em usuários de drogas.
Peguei o primeiro táxi da fila e nem respondi o "bom dia" do motorista, não queria falar, apenas entreguei-lhe um pedaço de papel onde estava anotado o endereço. No carro estava ainda mais calor. A noção de quão forte e rápido batia o meu coração só veio quando o senti batendo no encosto do banco, quase que querendo pular para fora da minha caixa toráxica. Sentado e imóvel, tinha a impressão de suar sangue.
Meu destino era o Taj Mahal Palace, um dos hotéis de luxo da cidade. As informações passadas antes eram de que a segurança de lá era fajuta. E era mesmo, assim que chegamos dois seguranças abriram o capô, porta-malas, mas não abriram as portas dos passageiros. Mesmo se eu estivesse enrolado com bombas pelo meu corpo não seria barrado. Para entrar no saguão do hotel era preciso passar por detectores de metais, os funcionários, cuja maioria era formada por indianos, vinham constrangidos revistar as bolsas dos clientes cinco estrelas.
Não me flagraram, eu estava ali apenas na função de dar o aviso "positivo" para o primeiro bombardeio, depois faríamos reféns, chamaríamos a atenção do mundo e a partir daí nada mais era possível prever. O saguão era imenso e muito luxuoso, o que me deu vontade de dar mais um teco, afinal já havia baixado o efeito da anfetamina que vinha misturada com o LSD naquele pedacinho de papel.
Voltei do banheiro depois de ter inalado uma gorda. Insano, delirante, impulsivo e com o ódio que me persegue por gerações prestes a ser descontado, peguei o celular e ordenei o ataque. Que se foda o pacifismo encabeçado por Mahatma Gandhi.
Era a noite de quarta-feira (26/11/08) e o terror em Mumbai durou até sábado, quando foram libertados os últimos reféns e os três últimos companheiros foram mortos em um tiroteio com a polícia indiana. Na tragédia, 196 pessoas morreram e cerca de 300 ficaram feridas.

Imagem do Rubaljaim

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pet Duo - Technopride 5 anos

Sem palavras.



...Teve até um "bootleg" de Smells Like Teen Spirit (Nirvana)!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bienal Vertical

A casa da rua Fradique Coutinho, no agitado bairro da Vila Madalena, é despercebida por aqueles que por ela passam no rítmo frenético dos dias. Em nada ela se parece com as galerias modernas e muito menos com os monumentais museus do mundo à fora. Mesmo estando à margem do circuito oficial de exposições, a Casa da Xiclet, como foi nomeada, é sim um espaço expositivo, e é lá que está rolando desde o dia 10/10 a mostra "Bienal, Tô Cheia", que inicia sua segunda temporada nesta sexta-feira (07/11).
Revoltados com a atual decadência da Instituição Bienal de Arte, revelada na 28º edição, um coletivo de artistas convida o público a dar uma passada por lá, e quem sabe não comprar um trabalho.
"Bienal, Tô Cheia" sôa um pouco como uma "exposição-manifesto". Seu nome é uma alusão à proposta dos "CUradores" da 28ª Bienal de deixar o segundo andar do pavilhão do parque Ibirapuera vazio. Não há uma curadoria responsável pela exposição, o que é uma característica da Casa que vem sempre questionando o sistema de arte.

"Bienal, Tô Cheia"
Casa da Xiclet
Fradique Coutinho, 1855, Vila Madalena, São Paulo
http://casadaxiclet.multiply.com/

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Registro de um penetra virtual

"And Togheter we will begin the next great chapter in the american history"
"Thank you americans for settings us free from Bush and his friends"
"We are not as divided as our politics suggest. That we are one people. That we are one nation"
"Yesssssss"
"WooooHoooo"
"Fuck you republicans"
"No more Bush. No more Bush"
"The world is celebrating"
Os ânimos estavam exautados no comitê virtual do partido Democrata americano em Seockcheon, no Second Life, onde os partidários debatiam o futuro daquele país. Eram 2h30 da madrugada aqui no Brasil, a maioria das pessoas dormiam sonhando com um amanhã melhor.
Junto aos outros 25 avatares que estavam online naquele momento, pude acompanhar o final das apurações das eleições americanas. Alguém anunciava números vindos de diversos Estados. Ohio, Carolina do Norte, Indiana... O chat bombava. Sirenes, fogos de artifício, e até go go dancers davam o tom da festa.
Barack Hussein Obama foi eleito o novo presidente dos Estados Unidos, o primeiro negro e o 44º da história do país. De acordo com projeções baseadas na apuração de votos e em pesquisas de boca-de-urna, o senador democrata de Illinois obteve 338 votos no colégio eleitoral contra 163 de seu rival republicano John McCain. Mais de 62 milhões de americanos votaram no democrata, enquanto outros 55 milhões escolheram o republicano.
Com o slogan "Mudança em que podemos acreditar", ele conquistou a simpatia dos americanos e do mundo, passou de "figura desconhecida" para quase que um astro de rock - haja mudança, podemos acreditar mesmo?
No mínimo ele se garantiu, e se garante, como um ótimo garoto propaganda - esperamos que não seja só isso.

A imagem é do Sebastian Niedlich.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

No olho do furacão

Invisível no mundo das imagens. Queria ser um fantasma para olhar e não ser olhado. Estar fora do alcance deste sentido humano habilitado apenas para reconhecer superfícies iluminadas. Ser sombrio. Trafegar no mundo das sombras.
O exagero no uso das imagens gera olhares indiferentes, praticamente cegos. E eu só me vejo quando sou visto, fudeu.
Numa trajetória de ir em busca da visibilidade e da satisfação individual, me nego e me anulo. Fujo para uma unidimensionalidade, egodimensionalidade, ou para a nulodimensionalidade.

...Um dia ela me disse que vivia rodeada de fantasmas. Desculpa meu amor.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Campus Party 2009


Após reunir cerca de 3.000 inscritos no parque Ibirapuera no início deste ano, o principal evento de inovação tecnológica e entretenimento eletrônico em rede, Campus Party, está marcado para acontecer entre os dias 19 e 25 de janeiro de 2009, no Centro de Exposições Imigantes.
A idéia é discutir, durante uma semana, tecnologia, mídia e entretenimento em atividades que giram em torno de onze eixos temáticos: astronomia, robótica, software livre, games, blogs, simulação, modding, música , designe, vídeo e fotografia.
Além do espaço restrito para os inscritos, haverá uma área livre (gratuita) para os curiosos que quiserem acompanhar o evento um pouco mais de longe. Até o dia 31 de outubro serão cobrados R$100 pelos ingressos, após esta data R$150.

É nóis nas pistas!

A cultura clubber faz parte da cibercultura e, portanto, não poderia ficar de fora da Campus Party. Para garantir a satisfação daqueles que são mais animados os organizadores reservaram um espaço para baladas, onde serão reproduzidos vídeos e músicas feitos dentro da própria feira.
A imagem que ilustra o post foi fotografada pelo Fernando Cavalcanti.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Da cibersensibilidade

De átomos para bits, do analógico para o digital, eu e meu computador. Relação homem e máquina, uma interface que possibilita conexões, experiências e transformações, do mecânico e do humano.
No ciberespaço, receio emitir sinais. Você leitor poderá publicar suas informações e também fiscalizar este emissor, que agora está sujeito ao patrulhamento constante do público. Mas há também a sensação de liberdade: comunicação de milhões para milhões num universo onde tudo está em fluxo.
Eliminamos as barreiras técnicas para a publicação de conteúdos e iremos construir a credibilidade. Somos um coletivo humano em ciberatitudes, buscando manter uma relação orgânica com a máquina.

Do pé

Livre para transpor os tradicionais limites editoriais e começando com o pé direito! - agora, não só apenas eu lembrarei que hoje, o primeiro dia de post deste blog, eu estava com o pé esquerdo imobilizado - então, mãos à obra.